A culpa mora ao lado…

A culpa mora ao lado…

Abril 7, 2019 0 Por admin

E, poucos dias antes da minha viagem começar, começam as dúvidas, as culpas, o trabalho interno!

Aqui deste lado já há a sensação de que sou a pior mãe do mundo por deixar os meus filhos.

Embora, a maior parte do tempo de viagem seja durante a semana de férias da Páscoa, período que já não estariam comigo. Irei além desse tempo mais 3 dias. E, estar do outro lado do mundo dá origem a todo um “bicho papão”.

Então, por aqui começa a culpa por estar a ter tempo para mim… a ser egoísta por me estar a colocar na agenda, a pensar e cuidar de mim.

Afinal sou mãe e tenho que ser mãe, devo cuidar dos meus filhos!

Na realidade também começa a bipolaridade, se por um lado sinto tudo isto, por outro sinto que esta é uma oportunidade para os miúdos estarem mais tempo com o pai (sem a intromissão permanente e próxima da mãe) , e de a mãe recarregar baterias para o dia a dia, para ter força de arranjar actividades para as tardes depois da escola, para conseguir manter a sua tarefa de ser mãe com a disponibilidade e total foco numa parentalidade mais consciente.

Afinal sou mãe e devo cuidar dos meus filhos, mas os meus filhos também têm pai! E nós mães não devemos tirar-lhes as oportunidades de serem, também eles, os melhores pais que puderem ser!

Hoje sinto-me má mãe e sinto-me má mulher. Estou aqui no meio entre as duas. Mas estou grata por ter oportunidade de trabalhar estas coisas em mim, de sentir e aceitar as minhas sombras.

É possível que algumas de vocês sejam mães, e possível que sintam o mesmo quando pensam na viagem de reencontro do eu em Bali.

E, esta partilha serve, além de ser para vos mostrar que é normal sentir isso, que também eu ainda estou neste processo. Eu estou a sentir tudo isto! É real e dói, mas faz parte de um aumento do meu autoconhecimento.

Felizmente hoje tive a sorte de o meu pai ter visitado o Algarve em trabalho! Assim, tive oportunidade de receber um boost de auto-estima, vi os meus sentimentos acolhidos e outras forma de percepcionar e lidar com a situação!

Acho mesmo que o meu pai é o melhor pai do mundo…

E, ele foi e é um exemplo de como respeito, confiança e autonomia podem ser a chave para um retorno de valor e estima.

Assim, hoje foi um dia de sentir e abraçar sombras. Não me considero nem mais nem menos que ninguém. Tenho sentimentos de culpa e de tristeza como todos nós…

Afinal, a culpa mora ao lado.

E, tenho a sorte de ter boas âncoras (quer de família de sangue quer de coração) na minha vida. São estas pessoas que me ajudam a manter à tona quando a mente me quer empurrar para o fundo e pregar partidas!

E vocês como lidam com estes dias? Dias em que nós próprios duvidamos de nós?

Também vocês têm pessoas âncora?

E permitem-se ser vulneráveis nestas alturas?

Este artigo é um artigo que para mim é de exposição de autenticidade e por isso de vulnerabilidade.

Por favor segue e partilha!
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